MINHAS PRÓXIMAS CORRIDAS

domingo, 12 de fevereiro de 2012

UM TEXTO... UMA PONTE.... UMA CORRIDA...

"Ai palavras, ai, palavras, 
que estranha potência a vossa..."


          Começo o texto de hoje citando Cecília Meireles, porque reconheço o poder das palavras na vida da gente. Palavras podem construir ou destruir uma pessoa, podem confortar ou machucar, elevar ou derrubar, despertar sorrisos ou lágrimas, deixar-nos mais tranquilos ou mais apreensivos com alguma coisa... E foram palavras de um texto que me trouxeram até esta crônica. Lendo, esta semana, a revista Runner's deste mês, deparo-me com uma matéria sobre a Corrida da Ponte Rio-Niterói... Tenho minha inscrição feita para corrê-la e tenho a impressão de que seja uma corrida muito bonita... Entretanto, essa beleza começou  a se dissipar de minha imaginação, dando lugar à ideia de sofrimento... Alguns amigos já me alertaram para o calor do Rio de Janeiro, numa ponte de 13km sobre o mar, sem sombra nenhuma... Sim, isso me causa um certo receio, afinal, não estou acostumada com o calor carioca. Mas confesso que as palavras do texto da revista me deixaram ainda mais encucada... 
          Há pouco mais de um ano, quando um colega corredor me falou a respeito desta prova e que era preciso comprovar tempo para dela participar, eu estava sonhando em fazer minha primeira meia maratona. Lembro-me de ter ficado indignada, afinal, se fosse um sonho estrear nos 21km na Ponte, isso não seria possível. Questionei essa triagem, sem entender o porquê dela... Agora começo a entender, é para evitar que pessoas não preparadas se arrisquem numa prova considerada difícil tanto por causa das condições climáticas quanto das variações altimétricas. Bom, quanto a mim, se eu pretendo dar conta de uma maratona no Rio de Janeiro, preciso me sentir em condições de fazer uma meia maratona no local. Mas aí me apareceu este texto que, confesso, intrigou-me devido à algumas palavras, expressões ou frases que não apenas nos alertam para o nível de dificuldade da prova, mas chegam a fazer dela algo  amedrontador. 
          O texto já começa falando que não é uma prova para qualquer um. Ok, uma meia maratona realmente não é para qualquer um, principalmente no calor do Rio de Janeiro, e a necessidade de se comprovar tempo em outra meia maratona já demonstra esta questão. Logo em seguida, aparece um apelido "carinhoso" dado à corrida por um participante: "corrida da ponte do inferno". E este "inferno", provocado pelo calor, foi intensificado por algumas falhas na organização da prova, cujos erros prometem ser corrigidos este ano. Na verdade, alguns erros não podem acontecer por parte das organizações, principalmente em provas que exigem mais esforço do corredor. Falei sobre isso na crônica anterior. E volto a falar, pois se a organização da prova promete mais  postos de hidratação,  pontos de vaporização de água e mais postos de ajuda, é porque reconhecem a falta de uma infraestrutura melhor no ano passado. E sei que a coisa foi realmente feia: muito calor, muitas pessoas passando mal... Alguns amigos corredores comentaram sobre isso - e gostaria de pedir que relatos fossem feitos sobre a corrida do ano passado para que a gente possa estar cientes do que temos pela frente. 
          Depois, veio a parte da matéria que mais me chamou atenção, um quadro intitulado "Uma ponte no caminho". A professora de Literatura aqui achou linda a intertextualidade com a "pedra no caminho" do Carlos Drummond de Andrade. Mas isso não reduziu a preocupação da corredora, pois a "pedra" drummondiana, metaforicamente, pode representar um obstáculo, uma dificuldade, o que só foi reforçado nas descrições dadas sobre os trajetos da prova. Muito interessante a descrição feita por partes: sobre o "aclive longo e constante" nos 6,5km iniciais, o declive que vem em seguida, para nos preparamos para a "pior" parte da prova e uma simpática observação: "REZE PARA O TEMPO ESTAR NUBLADO"... Ao descrever o trajeto após o   km 20, o texto diz que você pode se sentir em casa, "SE AINDA ESTIVER INTEIRO"... 
          É, obrigada ao autor do texto, conseguiu me deixar muito mais do que ansiosa pela chegada da prova... Que eu vou procurar me preparar para a prova, com certeza que vou... Que as dificuldades e as falhas precisam ser anunciadas para ficarmos alertas, claro que precisam... Mas acho que já começo hoje mesmo a rezar para o tempo estar nublado, caso contrário, corro o risco de não chegar inteira, não é mesmo? Como adoro um desafio, lá vou eu correr a Ponte e na ponte.... Espero, no dia 20 de maio, após concluir a corrida, sentar e escrever para vocês um texto cujo teor já imagino:

"Sim, TINHA uma ponte no meio do caminho, mas, 
assim como a "pedra" do Drummond, 
ela foi deixada para trás, 
foi superada...
 Um grande abraço a todos!!! 
Bons treinos!!!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

CADA CORRIDA UM APRENDIZADO...

"Nem sempre as batalhas da vida vão para o mais rápido ou o mais forte. 
Há momentos em que o  vencedor é quem acredita que pode conseguir."
     


     É com o relato de um corredor, e com a devida autorização dele, que começo esta crônica de hoje:

20km da corrida do Batalha, como o próprio nome diz, uma BATALHA! Sabe aquele tipo de acontecimento que faz você repensar tudo? Bem, foi isso que me aconteceu ontem... Essa corrida me disse assim... “Cara, abaixa a sua bola, tu não corre porra nenhuma! Tem que treinar mais, se alimentar melhor, dormir mais e principalmente emagrecer. E muito!”. Pus em cheque até o meu sonho de disputar a maratona! Uma corrida quase desumana, pelo menos pra mim! Um calor infernal, uma largada completamente equivocada, às 10:15h!!! Mudança de percurso,  anteriormente 18km e agora 20km, numa estrada de terra, muito, mas muito quente,  apenas três postos de hidratação. No primeiro a água estava numa temperatura ótima! Ótima para se passar aquele cafezinho. No segundo a água havia acabado e fomos socorridos por populares! Eu já estava exausto  e me pus a dar água aos corredores! E o pior estava por vir, o retorno. No começo, em companhia do meu irmão e grande amigo Bruno, depois, de carona com o mestre Capitão. Durante esse retorno, em meio a divagações e delírios, fiz um pacto comigo: posso chegar me arrastando, mas vou terminar essa porra! Entre coxas estouradas e ânsias de vômito, no fim, tudo se salvou! Mas ficam algumas lições, correr não é pra qualquer um, pois uma deliciosa corrida pode se transformar em um martírio! E a principal delas é que, por pior que sejam as condições, sei que nunca irei desistir! (Vanderley Meurer Junior - Juiz de Fora)

     Eu não participei da prova, posso estar sendo leviana ao comentá-la, mas esse relato me faz pensar algumas coisas. Primeiro: o desrespeito com o corredor. Num domingo de verão, em Juiz de Fora, cidade quente, começar uma corrida de 20km às 10:15 deveria ser algo inimaginável. Aliás, mesmo em uma corrida de 6km, porque houve essa opção de distância também. Largada tardia, calor, trajeto pesado... Penso que mesmo o horário de 9h, que seria o previsto para a largada, é complicado para correr no verão. Para piorar, a falta de água. Se havia água suficiente para o número de corredores inscritos para a prova, é o mínimo que se espera, por que faltou água no segundo posto? Não seria porque o calor das 10h ou 11h obrigou os corredores a beber mais água do que o previsto? Água quente? Não me espanta se alguns corredores reclamaram de ânsia de vômito... E se não houvesse populares distribuindo água? O risco de um corredor passar mal, desidratado, foi grande... Já participei de provas em que o horário da largada não foi respeitado, em que faltou água, em que a água estava quente... Imprevistos acontecem? Claro!!!! Mas que não aconteçam com frequência... Organizar uma competição requer um mínimo de infraestrutura e respeito aos corredores... Podemos até pensar no bom-senso do corredor que, ao sentir que não vai aguentar completar a corrida ou manter o ritmo que previa, deve reduzir ou parar antes que passe mal. Tudo bem, se o corredor se esforçou além do previsto, ou se naquele dia da competição ele não estava bem... Pelo menos, não foi por problema de infraestrutura, e a responsabilidade é toda dele. Mas, além do desgaste que o corpo dos corredores sofre a cada corrida, que já não é pequeno, sofrer ainda mais por falta de organização é inaceitável....
     Segunda reflexão que o comentário acima me despertou: a necessidade de um bom preparo para as corridas. Tudo bem que é muito bom, depois, olhar para trás e ver que conseguimos vencer uma corrida difícil. Mas penso que, para nós, que não somos profissionais da corrida, ficar sofrendo para completar um percurso não é uma boa... Claro que vez ou outra isso é inevitável, ou que seja um pequeno sofrimento a cada prova... Mas que seja pequeno, porque eu, pelo menos, quero que a corrida me faça feliz. Se ela começar a se tornar um martírio para mim, vai perder a razão de ser... Adoro desafios, superação, sou movida a eles... Mas espero sofrer mais nos treinos,  aprender a superar meus limites neles, perceber a necessidade de aumentar ou diminui-los na medida certa.  Para isso eles existem... São nosso aprendizado... Sofri recentemente numa prova pequena, porque eu estava com o corpo cansado. Participei de  uma corrida sábado à tarde e outra no domingo pela manhã. Meu corpo não está acostumado com isso. Foi sofrido, doído, senti o que o corredor acima disse: "Pus em cheque até o meu sonho de disputar a maratona!". Eu também pensei isso quando sofria naquele trajeto, mas depois vi que foi sofrido porque não dei ao meu corpo o  descanso que ele precisava. Um amigo, corredor experiente, disse-me: vez ou outra é bom fazer essas loucuras, mas apenas vez ou outra... Fiquei a semana passada toda sem correr por dor no pé... Pagamos pelos excessos que cometemos... É preciso que a prudência fale mais alto que a nossa ânsia de superação... Que a razão consiga sobressair-se sobre a endorfina e que, sobretudo, saibamos respeitar os limites do nosso corpo... Ele pode muito mais do que imaginamos, é verdade, mas ele precisa de cuidados...
     Ah... o terceiro ponto: superação!!!!! Adoro essa palavra!!!  É... é preciso respeitar o corpo.... É preciso ter prudência... Mas é preciso não desistir dos sonhos... Mesmo dolorida, com bolha no calcanhar, corpo cansado, aquela corrida a que me referi foi concluída e ainda me deu meu primeiro troféu... Mesmo se sentindo martirizado, "entre coxas estouradas e ânsias de vômito", o corredor acima concluiu sua corrida... Doeu? Fez alguma coisa errada? Era um trajeto além do que aguentava? Não deram a infraestrutura que deveriam dar? Pois bem... agora é repensar as ações, os planejamentos, as preliminares das corridas... É se alimentar direito, descansar adequadamente... E escrevo isso porque eu estou tentando ME convencer da necessidade de tudo isso. A gente aprende com as experiências dos outros... Gostaria muito que esse blog servisse para essas trocas de relatos. Nós aprendemos muito ouvindo os companheiros. Tenho ouvido muito corredores mais experientes... Meu sonho da maratona é tão intenso, e eu sou tão intensa nas coisas de que gosto e desejo, que tenho medo de meter os pés pelas mãos, de cometer excessos, de me lesionar... E repito para MIM mesma: é preciso prudência, paciência, avanço gradual, descanso... Mas desistir do sonho? Jamais!!! No máximo, adiá-lo, quando e se houver necessidade...


"Tente! / E não diga / Que a vitória está perdida / 
Se é de batalhas / Que se vive a vida / 
Tente outra vez!"

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MUITO MAIS DO QUE UM TROFÉU NA ESTANTE...

     
"Não tenha medo de dar o seu melhor naquilo que parecem ser pequenas tarefas. 
De cada vez que conquista uma, fica mais forte.  Se faz os pequenos trabalhos bem, 
os grandes tendem a cuidar de si mesmos."


     Missão cumprida para minha primeira prova de 2012: CORRIDA DOS CARTEIROS (BH), que aconteceu no último sábado (28/01). Viajamos mais ou menos três horas e meia, corremos e enfrentamos mais três horas e meia de estrada.  Como a corrida foi à tarde, não sentimos necessidade de viajar na véspera, mas não dá para negar que esse vai e volta no mesmo dia não seja desgastante. Mas a corrida foi muito boa!!! Já estava com saudades do clima... Minha última participação em corrida foi no início de dezembro, fechando o Circuito Adidas... Pessoas felizes, de todos as idades, cada um com um sonho, um objetivo... 
     Não foi uma prova fácil. Realizada pelo centro de Belo Horizonte, já iniciou com uma leve subida, desgastando-nos um pouco bem no começo, depois, descida, um bom percurso plano e, quase no fim, por volta do oitavo quilômetro, uma subida consideravelmente forte. Sim, bastante forte para mim... Foi difícil, deu vontade de parar... Não tive como não me lembrar de um amigo corredor que sempre diz que precisamos treinar subidas.... E eu treino, apesar de estar um pouco parada... E senti na pele, ou melhor, nas pernas, no coração, no pulmão, o quanto ainda tenho que me preparar para as subidas... Ao fim do morro, esse mesmo amigo, o Zezé, após concluir a corrida dele em fantásticos 38min, foi ao meu encontro e me deu uma energia nova para fechar o último quilômetro. Correu ao meu lado esses últimos mil metros, deixando-me apenas quando o pórtico de chegada estava à vista. E ele voltou para ir ao encontro de mais duas colegas corredoras...Confesso que se não fosse ele, eu teria levado muito mais tempo para terminar a prova... 
     Nesses momentos é que a gente vê como é importante um apoio, uma orientação, uma força para ajudar no nosso psicológico... Infelizmente, faço a maioria de meus treinos sozinha. Por um lado é bom, eu sei, porque na hora do "vamos ver" é sozinhos que ficamos, mesmo tendo um monte de corredores ao lado. Cada um imerso em seus pensamentos, em suas lutas, em seus objetivos... A luta para enfrentarmos cada quilômetro, as dores, a vontade de parar, os medos, é mesmo solitária. Mas ter alguém ao lado de vez em quando, com o mesmo objetivo, ou com maior experiência do que a gente, com certeza é algo que pode, e muito, ajudar-nos. Tenho ouvido muitas orientações de amigos, principalmente agora que sonho com a maratona... Saber ouvir essas vozes, assimilá-las e tentar adaptar à minha realidade é algo que tenho procurado colocar em prática...
     Mas como de loucos todos temos um pouco... Na viagem de volta, os corredores com os quais eu viajei combinavam um corrida para o outro dia pela manhã, numa cidade vizinha: CORRIDA DA ACADEMIA DE DORES DE CAMPOS... Nossa que vontade foi me dando de ir também, ao mesmo tempo que eu pensava: "Você não deve fazer isso, é loucura... Você acabou uma corrida razoavelmente forte para você às 17h, não deve correr outra prova no outro dia cedo"... Mas a vontade foi  crescendo, crescendo e eu acabei dando o meu nome... Às 8h do domingo, partíamos para a outra cidade... E lá fomos nós... Mal sabia que esta prova seria muito mais marcante do que a anterior, pela qual tanto esperei... Juraram-me que era uma corrida tranquila, estrada de terra, nada muito pesado. E eu prometi a mim mesma que eu iria para "brincar" de correr, trotar levezinho, só para participar mesmo... Chegando lá, cidade pequena, poucos corredores, pouquíssimas mulheres e eu ainda pensando em pegar leve... 
     Doce ilusão, clima de prova é clima de prova... De repente, vi-me liderando entre as mulheres por metade da prova... Entretanto, aquele juramento que me fizeram, devem tê-lo feito de dedos cruzados, porque de fácil a prova não tinha nada. Imaginem um tobogã em plena estrada de chão, cheia de curvas e inclinações... Um sobe e desce desgastante... Chegou a um ponto em que precisei mesmo reduzir e acabei ficando em segundo lugar durante a outra metade da prova.... Quando retornávamos, vi que a terceira corredora estava a uma distância razoável de mim, o que me permitiu dar uma maneirada no ritmo, sem, entretanto, perder minha colocação... Mas foi tenso: deu uma bolha no  meu calcanhar, juntou o cansaço da corrida anterior e minha cabeça começou  a me falar: "Você não vai conseguir, você precisa parar".... E ela me repetiu isso por quase toda segunda metade do percurso... Eu procurava resistir e combatê-la, falando para mim mesma que eu conseguiria, mesmo que sem colocação no pódio, o importante era cumprir a prova, que eu não podia desistir... E fui, travando uma batalha com o meu psicológico... "Tico e Teco" brigando para ver quem vencia. Foi impossível não pensar na maratona... Deu aquele medo, sabem, de  enfrentar dores, cansaços, medos, solidão... Deu vontade de chorar, porque eu sei que não será fácil... Se naquela corrida pequena, menos de 10km, eu estava daquele jeito, imaginava como será percorrer os 42km... É preciso muito treino físico e psicológico... Muito mesmo... E segui nessa turbulência interior até que, quase ao fim da prova, aquele mesmo amigo do dia anterior veio ao meu encontro e me acompanhou novamente. E eu dizia para ele que precisava parar e ele dizia que eu conseguiria terminar, que faltava pouco... Ele gritava: "Superação, Lílian, superação!!!" Na verdade, naquele momento, ele foi a minha "cabeça"... Venci a última subida, nos metros finais e consegui fechar a prova... 

Meu amigo Zezé... Só tenho a agradecer....

     Foi loucura, eu sei.... Foi mesmo loucura.... Mas acho que vocês, loucos que correm, conseguem me entender... Não é coisa para se fazer sempre... Mas talvez tenha sido minha melhor experiência, até agora,  sobre o que é sentir o conflito corpo x mente... Ou da mente x corpo... Meu corpo estava cansado e minha mente parecia segui-lo... Se eu a ouvisse, teria caminhado metade da prova.... Mas aí parece que a ordem se inverteu: a mente resolveu tentar vencer o corpo... Estabeleceu-se um embate entre os dois... Acredito que é isso que acontecerá durante a maratona e até mesmo nos treinos para ela... É preciso estar preparada... Claro que treinarei dentro do esperado para os 42km, não farei loucura de correr sem me sentir preparada... Claro que estarei, na medida do possível, descansada para a prova... Tenho orientação sobre alimentação, hidratação, suplementos... Claro que minha cabeça vai sair de casa para correr 42km... Não sei se com vocês é assim, mas parece que a cabeça é programada para a distância do dia: hoje serão 5km ou 10km ou 21km ... Mas acredito que o conflito será inevitável... Temo por ele, confesso... Mas não me paraliso... gosto de desafios... vou tentar... e farei o possível para  conseguir!!!!
     Ontem trouxe para casa meu primeiro troféu: segundo lugar feminino... Poucas mulheres disputando, é verdade, mas este troféu simboliza para mim muito mais do que essa colocação... Simboliza cada corrida que já cumpri, cada treino que já realizei... Cada amigo que já fiz por causa das corridas... Cada gota de suor que procurou refrescar meu corpo em ebulição... Cada dor muscular... Cada quilômetro rodado para chegar até às corridas... Cada centavo gasto em provas, viagens, suplementos, roupas, tênis e demais acessórios... Simboliza o carinho e o apoio do Zezé e de muitas outras pessoas... Simboliza superação: da dor, do cansaço, do pensamento negativo... É o símbolo de minha primeira batalha vencida rumo à maratona de julho... 


"Hoje me sinto mais forte/ mais feliz, quem sabe./ 
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei. / Eu nada sei. 
(...)
Cada um de nós compõe a sua história / 
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz/ 
de ser feliz..."






sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O QUE FOI E O QUE SERÁ....

Não importa a distância, quantos metros ou mil metros cada um vai percorrer. 
Importa o que cada centímetro, o que cada passo, o que cada gota de suor 
significam para quem os está experimentando.

Meus primeiros 10km

     Última sexta-feira de janeiro. E assim o ano vai.... apenas começando... Para muitas pessoas que têm férias no verão, como nós que trabalhamos com a educação, o ano só começa mesmo em fevereiro. No primeiro mês do ano, ficamos morcegando, passeando, visitando e recebendo visitas... Curtindo as tão merecidas férias... E assim foi meu janeiro... Descansando corpo e alma para começar o ano com toda força necessária... Na verdade, o corpo descansou mais do que eu pretendia... Foram tombos, feridas e dores que me obrigaram a ir bem mais devagar do que eu imaginava. Mas agora é hora de arregaçar as mangas e "mandar ver" e, para fechar janeiro com chave  de ouro e começar o ano com bastante garra, nada melhor do que estrear nas corridas de 2012. Diferentemente das provas a que estou acostumada que, geralmente, ocorrem nos domingos pela manhã, participarei, amanhã (sábado, 28/01) à tarde, da Corrida dos Carteiros em Belo Horizonte. Já em sua XV edição, é uma corrida sem fins lucrativos, que acontece em 24 estados brasileiros desde 1995. Serão 10km percorrendo o centro da capital mineira - outra novidade para mim, que em Belo Horizonte, até hoje, apenas participei de provas na linda Lagoa da Pampulha. 
     10km... Hoje, essa é uma distância considerada razoavelmente tranquila para mim. Entretanto, não tenho grandes pretensões para esta corrida, pois me recupero de uma dorzinha um tanto quanto incômoda no pé... Vou para me divertir, passear com amigos e fazer novas amizades... E, como disse, inaugurar meu ano de corridas. Ativar a endorfina num corpo que pretende transpirar muito este ano, num cérebro que deseja muitas atitudes acertadas, num coração que anseia por inúmeras situações poéticas... Tudo o que desejo é muito SUOR e muita POESIA, e que eu possa transpô-los para este blog e compartilhá-los com vocês que param alguns minutos de seu dia para ler lembranças, emoções e anseios de uma simples mulher, de uma simples corredora...
     Porém, se 10km consistem hoje num dos treinos mais curtos que costumo fazer, já houve dia em que era a mais longa distância almejada... Volto no tempo quando, como lhes contei na crônica anterior, após festejar minha primeira prova de 5km, comecei a sonhar e me preparar para meus primeiros 10 mil metros.  Prestem atenção: era o dobro daquela minha primeira prova. Significava cumpri-la duas vezes seguidas... Significava esforço dobrado... Significava treinos sérios... Comprometimento.... E se antes eu precisava dar duas voltas e meia no campus da UFJF, agora seriam necessárias cinco voltas... Mas primeiro foram três... vieram as quatro e, enfim, os 10km completos... Como eu me preparei para aquela minha "minimaratona"!!!! Sim, cada distância nova que sonhamos em realizar é uma "minimaratona" que almejamos... É longa e sofrida e desejada... E como eu me preparei para aquela corrida!!! Era a tradicional "Corrida da Fogueira" de Juiz de Fora. Ela acontece em um sábado à noite e naquele sábado de 2010 choveu o dia todo... Mas choveu o dia todo!!! Sabem o que é chover o dia todo? Pois é... E eu fui ficando sem graça, triste, achando que a chuva fosse atrapalhar minha corrida... Eu tinha me preparado tanto... Mal sabia que a corrida na chuva seria tão gostosa... Sim, foi uma corrida debaixo de chuva, chuva fininha... Mas foi uma corrida linda!!! Afinal, foram meus primeiros 10km... Foi minha primeira corrida à noite... Foi minha  primeira corrida na chuva... Foi minha primeira corrida na companhia de alguém que viria a se tornar muito importante em minha vida... E a empolgação que me deu depois? Fui em casa, tomei banho e saí para comemorar aquela "longa" distância com minha amiga-nutricionista Andreia Barros. Não me esqueço de vê-la ali, antes da prova, debaixo de sombrinha, esperando a gente largar... E eu sabia que ela estava ali por minha causa principalmente. E me lembro mais:  de vê-la ainda ali, ainda debaixo de sombrinha, quando retornei me sentindo a pessoa mais vitoriosa do momento... Sabe aquele instante em que a gente começa a ver na pessoa algo mais do que via? Se antes ela era minha nutricionista, a partir daquele dia ela começou a ser minha amiga... Alguém que acreditou em mim, que me orientou, que me ensinou a comer carboidratos antes das provas, a me hidratar adequadamente, a cuidar não só do meu físico, mas também do algo mais que nos compõe além do corpo que corre....
     Espero que meus 10km de amanhã tenham a magia destes primeiros... Que o diferente trajeto, o diferente horário, as diferentes companhias façam dessa distância uma nova corrida, uma nova emoção... Na verdade, sempre é novidade... Sempre é emocionante.... Sempre é estreia.... E será a estreia deste ano.... E a medalha que pretendo trazer para casa amanhã será a chave de abertura de uma porta que se abre para um trajeto longo, bem longo, com muitas corridas pela frente... Sei dos desafios que virão, das dores que sentirei, dos altos e baixos que enfrentarei, do cansaço, dos medos, das ansiedades... Sei também das alegrias, das largadas e chegadas, dos encontros e desencontros, das amizades, das conquistas, das realizações... Um trajeto que, espero, somente se fechará, temporariamente, no dia 31 de dezembro, com a medalha da São Silvestre de 2012.... 

'Bora correr, povo????








segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ERA UMA VEZ... O SONHO DOS 5KM

 
"Duas coisas que aprendi são que você é tão poderoso e forte quanto você se permite ser, 
e que a parte mais difícil de qualquer empreendimento é dar o primeiro passo, 
tomar a primeira decisão."

 
Meus primeiros 5km
   

     No último sábado, encontrei uma colega de faculdade - Marcele Nogueira - que tem visitado este blog e me disse que eu tenho servido de motivação para ela, que já começou a correr e faz 5km na esteira. Disse também que teve vontade de me pedir para falar aqui sobre o início, como foi começar a correr, quais as experiências iniciais que eu poderia compartilhar com quem está trotando seus primeiros quilômetros. Fiquei pensando que tenho falado muito sobre o sonho da maratona, um assunto que, para quem está começando a correr, está ainda um pouco além de sua realidade. E se eu tenho leitores que estão iniciando essa atividade, ou aqueles que ainda não iniciaram, resolvi acionar a memória e recuperar o início... como tudo começou.... Juiz de Fora... fevereiro de 2010... 
     A "culpa" dessa minha paixão é de uma colega de academia - Michele Farage. Eu já havia passado pelo emagrecimento de 30kg e toda atividade física que eu fazia era realizada dentro da academia mesmo: muita musculação e atividades aeróbicas - spinning, jump. Um dia, a Michele me perguntou se eu corria. Eu disse que não, que nunca havia pensado no assunto... nem de esteira eu gostava... E ela me convidou para treinar para uma corrida de 5km, que aconteceria na cidade, em julho. Não sei você, leitor, mas eu sou do tipo que adoro uma novidade e um desafio... Nunca havia corrido na vida e a possibilidade de começar a correr me encheu logo os olhos e o coração.... Estava mesmo precisando inovar um pouco minhas atividades físicas, para que o ânimo permanecesse incendiando. Isso é necessário na vida de qualquer pessoa e, principalmente, na vida de uma ex-gordinha. Algo que preciso ter sempre em mente é que eu não SOU magra, eu ESTOU magra e, se eu não me cuidar, esse estado pode mudar de modo um tanto quanto acelerado. Nada melhor, portanto, estabelecer objetivos a cada ciclo de vida, para que a motivação não se perca. Pensei, então, a corrida como uma aliada para a manutenção do peso. Nunca podia imaginar a proporção que ela tomaria em minha vida....
     Conversei com minha instrutora, Ayeska Lovisi, ela concordou com o treino - inclusive ela também ia se preparar para a tal corrida - e elaborou minha primeira planilha. Antes, entretanto, fomos nós três - Michele, Ayeska e eu - para um primeiro treino orientado. Lembro-me, como se fosse hoje, calçava um tênis duro, sem nenhum amortecimento, que nem dobrava a sola direito... Ia fazendo barulho ao alcançar o asfalto... E a primeira instrução da professora: que devemos fazer o menor barulho possível ao tocar o chão.... Bom, com aquele tênis era impossível...rsrs... Primeira lição: comprar um tênis de corrida... Não me lembro bem, mas acho que no mesmo dia providenciei isso... Bom, planilha entregue, agora era comigo. O lugar dos treinos: UFJF... Lá é um lugar delicioso, quem não conhece, com certeza se encanta à primeira vista. Comigo foi assim, nunca havia ido lá, fui fazer inscrição para uma seleção e quando vi aquele lugar me apaixonei. Já pensava logo em me mudar para Juiz de Fora só para poder frequentar aquele campus... e não é que consegui? E comecei a frequentá-lo não só para estudar, mas também para correr...Como mencionei na crônica anterior, no início eram 4min de caminhada forte e 1min de corrida. 1 minutinho de corrida, mas era longo... quase morria... e quando esse minuto coincidia com umas pequenas subidas que têm lá no trajeto? Nossa, faltava ar, o coração acelerava, o rosto queimava, as pernas pediam descanso... Mas chegavam os 4min de caminhada e eu me esquecia da dificuldade da corrida... Até que vinha o próximo 1min... E assim foi: em determinados dias eram 3min de caminhada e 2 de corrida... em outros eu voltava ao 4x1... tinha dia que era só caminhada... Fui pegando gosto pela coisa e, confesso, nem sempre obedecia a planilha. Tia Ayeska que me perdoe, mas quando conseguia correr mais um pouquinho... era inevitável... E a primeira conquista pessoal foi conseguir completar uma volta naquele trajeto: pouco mais de 2km... Se eu conseguisse fazê-lo duas vezes, os 5km estavam próximos... 
     O tempo foi passando, eu continuei treinando, tomando cada vez mais gosto pela atividade, e a corrida que seria em julho não aconteceu, foi adiada. Resolvi então estrear em provas numa corrida de 5km em BH, em agosto. Quanta adrenalina!!! Há pessoas que correm por correr, não pensam nem desejam participar de uma prova. Eu acho que todos os corredores deveriam experimentar uma prova, sem a obrigação de fazer determinado tempo, sem muito estresse. Simplesmente ir para correr.... É um clima agradabilíssimo!!! Exalam-se saúde e alegria entre aqueles inúmeros corredores. Pessoas que como nós estão ali apenas para celebrar a vida, correm, vencem suas batalhas interiores, recebem sua medalha de participação e voltam para casa sentindo-se verdadeiros campeões. E somos mesmo campeões!!! Não me esqueço de uma corrida em que presenciei a chegada do último corredor... Ele foi tão aplaudido!!! Arrepio-me só de lembrar... Só ele sabe o que significou para ele aquele instante... O quanto ele lutou, o quanto  de superação física e mental ele teve que encarar para atravessar aquela chegada... E quando eu peguei a minha primeira medalha, foi um dia muito feliz... Aquela  medalha significava tanto!!! Eu pensava na mulher de quase 90kg que eu era, que não fazia nem mesmo uma caminhada. Sedentária, triste, pesada não só de corpo, mas também de vida... Uma pessoa que se escondia atrás de muito estudo e trabalho... Ah, mas quando eu descobri que podia aliviar corpo e alma, ninguém mais me segurou.... Saí daqueles 5km já pensando na próxima corrida: aquela para a qual fui convidada a começar a correr. E ela não seria de 5km, como previsto, não haveria essa quilometragem, ela seria de 10km... e aí? Novo objetivo, nova motivação, era hora de vencer as duas voltas na UFJF e buscar a terceira, a quarta e a quinta.... 
     Foi assim que tudo começou... Um simples convite, uma motivação e a vontade de experimentar novos rumos para a vida. Fácil? Não vou dizer que tenha sido fácil... O início é difícil, o corpo dói, o cansaço chega.... O importante é que a pessoa persista, caso sinta que a corrida pode fazer parte de sua vida... É preciso que a pessoa deseje ir correr, que ela se sinta motivada para isso... Qualquer mudança na vida exige um esforço, uma determinação.... Afinal, é uma mudança de atitude, requer certos comprometimentos... Ainda hoje, já com o vício entranhado no corpo, tem dia que dá um desânimo... O corpo pede descanso... A cabeça pede um pouco mais de cama... E às vezes é necessário oferecer isso a eles... Mas, maior que o desânimo, é a vontade de me manter ativa, transpirando, trabalhando corpo e mente numa sintonia perfeita. Maior que as fadigas que o corpo vai sentir, é a vontade de conseguir vencer alguns metros a mais de tempos em tempos... Você, Marcele, tem estado presente nesse clima de corridas. Sua irmã corre e, com certeza, possui a euforia própria dos corredores. A motivação está dentro de você, é só colocá-la para fora... A gente serve apenas como inspiração... Experimente sair da esteira e correr um pouquinho na rua... Experimente se inscrever para uma prova de 5km e você verá como isso pode mudar sua vida... A minha mudou, radicalmente, e agradeço à Michele pelo convite... Agradeço à Ayeska pela orientação... Agradeço aos colegas corredores que incentivam... Às vezes o que falta para a gente descobrir novos prazeres e valores na vida é simplesmente um convite... e, claro, o coração e a mente abertos para, pelo menos, experimentá-lo... 

Então, que tal uma corridinha? 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

DE MEMÓRIAS E VITÓRIAS: NOSSAS MARATONAS INTERIORES

    "... o peso dessa maratona interior será tão importante 
como os quilômetros destas ruas e como o calor deste sol..."

     Hoje eu estava querendo escrever alguma coisa, mas ainda não havia encontrado o pontinho de luz que me inspiraria uma crônica. Porque as crônicas são textos que surgem de um pequeno fato cotidiano, por mais banal que ele possa parecer,  que nos leva a refletir sobre ele ou sobre a vida. "Na literatura e no jornalismo, uma crônica é uma narração curta, produzida essencialmente para ser veiculada na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas páginas de um jornal [seja nas páginas virtuais... ora]. Possui assim uma finalidade utilitária e pré-determinada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se, assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o leem". Perfeita essa definição da crônica, porque já não escrevo mais só por escrever - na verdade, isso nunca acontece com quem escreve, o escritor sempre imagina e espera por um leitor -, eu escrevo para os seguidores do meu blog e para os leitores possíveis que, por acaso, podem ser encaminhados para minha página nessa rede ilimitada que é a internet... Eu escrevo para criar familiaridade com você que me lê agora...
     Mas, voltando ao pontinho de luz que me fez abrir esta página para escrever: enquanto pensava sobre o que falar, recebi um e-mail de um amigo corredor, lembrando-me que, há exatamente um ano, eu fazia meu primeiro trajeto de 21km, e ele me deu um apoio incrível... Puxa, que bacana isso! Que recordação gostosa! Foi uma experiência linda, senti-me vitoriosa... Isso porque eu sonhava,  no início de 2011, em correr minha primeira meia maratona. O que aconteceu em julho: corri a Golden Four em BH... Mas tão boa quanto a sensação de completar a Golden Four, foi  a sensação de fazer aquele treino de 21km... Vocês que correm sabem do que estou falando... do sentimento de vitória, mesmo sem medalhas, sem ninguém para ver ou aplaudir. A vitória é interna... é visceral... é daquelas que a gente se pega sorrindo sozinho... lembrando os momentos... E quantos treinos de 21km vieram depois daquele!!!  Quantas meias maratonas eu realizei ano passado sozinha, ou com amigos e colegas corredores... Quantos... e por quê?

"Por quê? Se não há medalhas, nem troféus; se não tem torcida, aplausos, nem hino de vitória... Só o silêncio. Por que então? Se não há dinheiro, nem contratos; se não tem flashs, câmeras, nem pódio, nem glória... Talvez só uma luz. Onde estão as pistas, os campos, os estádios? Onde estão os adversários, os rivais? Onde está o tempo? E o limite, onde está o limite? JUST RUN! Porque correr é mais do que um esporte, é uma paixão"

     É por paixão que a gente corre... é por paixão que a gente vai estabelecendo nossas metas... Lembro-me de minha primeira planilha: 4min de caminhada e um de corrida... e era um sacrifício!!! Aquele 1min era longoooooooo, parecia mesmo um longão... Respiração difícil, coração disparado, rosto pegando fogo... Ah, que boas lembranças!!! Depois, quando fui pegando gosto, a ordem se inverteu, ficava louca para que chegasse o tal 1min de corrida... e os 4min de caminhada é que se tornaram um tempo longooooo... Depois o tempo de corrida foi aumentando, o de caminhada diminuindo... e veio a vontade de conseguir completar uma volta na UFJF... depois 5km... depois o sonho dos 10km... e o dos 21km... e agora? Bom, agora o sonho dos 42km... Mas antes preciso passar pelos 25km... pelos 30km... pelos 35km.... sem nunca esquecer que às vezes é preciso voltar aos 10km... aos 5km.... a uma caminhada.... ao descanso... à humildade....
     Humildade de olhar e de reconhecer o que estamos fazendo... humildade de estar em comunhão com os próprios pensamentos... humildade de correr dentro de nós mesmos e de vencermos trajetos interiores, com longões, tiros e subidas... 

"Na meta, a distância e o peso dessa maratona interior serão tão importantes como os quilômetros destas ruas e como o calor deste sol. Enquanto levanto um pé para dar uma passada, o outro pé segura-se ao chão. Se o mundo parasse no instante em que tenho um pé levantado, a avançar, e outro pé assente no chão, poderiam crescer raízes a partir desse pé firme que me segura. Essas raízes poderiam entranhar-se pelos intervalos de terra das pedras da rua. Mas eu não deixo que o mundo pare. Depois de uma passada, outra, outra" (PEIXOTO, José Luís. Cemitério de pianos. Rio de Janeiro: Record, 2008, p. 144-145).

     Quanta coisa passa pela nossa cabeça enquanto corremos...... Inclusive a vontade de criar raízes... Mas é preciso terreno muito sólido para que as raízes se firmem.... E como os terrenos têm sido movediços hoje em dia!!! Então, o que devemos fazer é empurrar o mundo, não deixar que ele pare, não deixar que raízes frágeis surjam, dificultando nossa caminhada... É preciso um passo, e outro, e outro... Um quilômetro, e mais um, e mais um.... Um sonho, e outro sonho, e outro sonho... E uma meta para nos manter em movimento. 
     E para alcançar a meta: 'Bora correr, meus  amigos!!!



sábado, 14 de janeiro de 2012

CORRIDA: EU MUDEI POR ESTA PAIXÃO... E VOCÊ?

     "Quando você tem uma meta, o que era obstáculo passa a ser etapa."

     Não estava inspirada para escrever uma crônica hoje... E, como já mencionei por aqui, só vou me sentar para escrever quando realmente o texto estiver pedindo para sair pelas pontas de meus dedos. Pela manhã, um amigo já havia, inclusive, me "cobrado" uma crônica de sábado. Eu disse que não estava pensando em escrever hoje, e ele ainda me chamou de preguiçosa... Mas não resisti: o texto de abertura da Revista O2 deste mês, do Zé Lúcio Cardim, me inspirou... O assunto: transformação... Meus dedos resolveram implorar por algumas palavras....
     É tão corriqueiro nós falarmos e ouvirmos corredores falarem que a corrida mudou a vida da gente. Eu mesma digo... No entanto, as palavras de Cardim mudaram completamente esse meu pensamento. Não é a corrida que muda a gente, somos nós que mudamos por ela:

[A corrida] estará sempre por ali, esperando que alguém comece a alternar os passos cada vez mais rápido, acelere a respiração e, voilá: eis a corrida. Ela te acompanhará, não importa o quanto você seja rápido, elegante, esguio. Basta estar correndo. Se você preferir, ela será uma parceira dolorosa, fatigante, um calvário. A boa notícia é que você mudará sua vida pela corrida. Porque mesmo nos momentos difíceis - normalmente os primeiros -, de alguma maneira você já descobre que existe uma ligação forte e que deve ser mantida. Como o desabrochar de uma grande paixão. E é quando essa sutil diferença se manifesta: assim como a paixão, a corrida é causa, não agente transformador. A maratona não mudou minha vida, eu mudei pela maratona. E, garanto, vale muito a pena. (Revista O2 - jan./2012)


     É pura verdade isso!!! Nós nos mudamos pela corrida... Prestamos mais atenção na alimentação, em horário de dormir, tornamo-nos mais disciplinados, organizamos treinos, repensamos comportamentos, aprendemos a ouvir os sinais que o corpo nos dá... Nós somos os agentes transformadores da nossa vida... Somos nós que vamos até à corrida, não é ela que vem até nós... Somos nós que, muitas vezes, levantamos cedinho, enquanto as cidades ainda dormem, para correr... Ou que saímos do trabalho e, enquanto muitos só querem ficar em casa descansando, ou bebericando com alguns amigos, calçamos nossos tênis e saímos cantarolando e felizes pelas ruas e parques afora... Somos nós que abrimos mão, de vez em quando, de uma festa, de uma noitada, por uma corrida no domingo de manhã... Somos nós que investimos em acessórios, suplementos, para cuidar do nosso corpo a fim de não sofremos com a corrida... Somos nós que buscamos a satisfação que ela nos traz... Somos nós, meus amigos...  
     Já ouvi muitas pessoas falando que não entendem qual a graça de sair por aí correndo... ou outras que falaram que até começaram a correr, mas não se sentiram envolvidas de verdade... Agora penso que essas pessoas não viram na corrida essa "aura" que vemos, porque elas esperavam que a satisfação viesse da corrida para elas, ou seja de fora para dentro... e não se dispuseram a ir, realmente, ao encontro dela... Não se dispuseram a ultrapassar os primeiros sinais de dor... Não se dispuseram a ser um pouquinho mais disciplinadas na vida... Não se dispuseram a mudar, a experimentar a transformação que o dia a dia nos oferece... Não se dispuseram a sair do conforto e, assim, continuam sem saber como poderiam ser mais resistentes, capazes de ir mais adiante, sentirem-se mais autoconfiantes...
     E o que dizer, então, da maratona? Eu e alguns de vocês, meus leitores, e inúmeras pessoas pelo mundo afora, estamos sentindo na pele a necessidade de mudar algo no dia a dia, nos treinos, na alimentação, em qualquer aspecto da vida, para nos prepararmos para a maratona... Até escritora de blog eu virei, diante da vontade de transformar em algo concreto - meus textos - as emoções de uma corredora apaixonada e sonhadora...  Quantos conselhos, orientações, leituras buscamos a fim de nos preparamos, ou seja, de nos transformarmos mais um pouquinho, para a maratona!!!
     A verdade é que vivemos uma metamorfose constante, em busca de nos aperfeiçoarmos, não para as medalhas e pódios e tempos superados, mas para nos sentirmos mais realizados, mais capazes como seres humanos, mais felizes pelas conquistas diárias.... No momento, minha lagarta interior se prepara para abrir suas asas na linha de chegada da Maratona do Rio, dia 08 de julho... E espero que ela se transforme em uma borboleta linda, colorida, bailando levemente pelo ar... Do mesmo modo como ela fez - e fará várias vezes, ainda, até a maratona - a cada corrida e treino realizados.... E sei que logo em seguida, ela voltará à sua condição de lagarta, para se preparar para outras muitas e constantes metamorfoses...