MINHAS PRÓXIMAS CORRIDAS

domingo, 8 de abril de 2012

UM LONGÃO DE PURA POESIA...

"Quando o sol acena, parte em mim  
Diz valer a pena ser assim,  
Que no fundo é simples ser feliz..."
   
   
          É chavão falar que a primeira vez a gente nunca esquece... Mas será que, além de chavão, é mentira? Acredito que não... Seja por ter sido boa, seja ruim, ela fica marcada... Quem não se lembra do primeiro beijo, do primeiro namorado, da primeira noite de amor, do primeiro emprego, etc., etc., etc.? Na corrida não é diferente: eu me lembro perfeitamente de meu primeiro minuto de corrida, intervalado com 4 minutos de caminhada; da minha primeira volta completa na UFJF - meus amigos juizforanos sabem a que me refiro; de meus primeiros 5km em treino; da primeira prova de 5km, quando experimentei pela primeira vez a emoção de atravessar a linha de chegada; de meus treinos para a primeira prova de 10km e a emoção de percorrê-la; minhas primeiras 10 Milhas; minha primeira Meia Maratona; os primeiros 18km em Paraty...
        Semana passada tive uma outra experiência marcante... Era uma manhã linda... Sabem, LINDA, assim, com todas as letras maiúsculas mesmo!!! Céu azul, sem nenhuma nuvem, sol "nascendo" no mar, uma manhã de feriadão e eu celebrando meus 33 anos de vida... Resolvi me dar de presente de aniversário um longão. De início, planejara 22km, mas eu me sentia tão bem e tão feliz por estar vivendo aquele momento que fui aumentando a quilometragem e concluí ao completar 27km... Prometi a mim mesma um treino sem sofrimento e cumpri o prometido: foi um treino para curtir a paisagem, parando, quando necessário, para uma ducha ou uma água de coco... Ouvindo música, sem me estressar com a marcação de tempo... 
          Ora, podem dizer, assim é fácil percorrer esta distância! Bom, sim, assim é mais fácil... Mas quem disse que por ser mais fácil é menos importante? Ora, ora, às vezes é preciso lembrar que não sou uma atleta profissional que deve ser monitorada a todo tempo... É preciso não deixar que a ânsia por novos e melhores resultados me tirem o prazer da corrida... Sim, porque eu corro por prazer...  Eu corro para celebrar a vida, a saúde... Eu corro para me sentir mais completa... Eu não corro apenas pelo SUOR... Eu corro principalmente pela POESIA...  E a poesia está ali entre uma passada e outra... Que importa se é uma passada rápida ou lenta; pronada, supinada ou neutra; longa ou curta? São todas passadas que despertam dentro de nós uma euforia que nos leva adiante.... A poesia está em um corredor e outro que passam e cumprimentam timidamente com um aceno de mão ou um sorriso quase imperceptível; em outros que trocam com a gente algumas palavras de incentivo; em alguns que vão conversando, esquecidos da velocidade da vida: é assim que vamos nos reconhecendo como participantes de um mesmo grupo... A poesia está em sentir a água da ducha escorrendo pelo rosto, pelos braços e pernas, resfriando um corpo em ebulição... e, depois, ter o sol beijando a pele e secando cada gotícula que ali estivera... A poesia está em ver a habilidade que um vendedor retira do coco a água que em seguida vai repor os sais minerais que meu corpo perdeu... A poesia está em passar, em plena véspera de Sexta-feira Santa, perto dos vendedores de peixes e ouvi-los, mesmo que momentaneamente, negociar aquele produto que vai levar o pão para sua mesa, ou quem sabe o Ovo de Páscoa para seus filhos... A poesia está em ver um pai acompanhar seu filho num passeio de bicicleta; em ver uma mãe lambuzar a filha de protetor solar e a menina sair com o narizinho branco, correndo em busca da bola que parece atraída pelo mar... A poesia está em detalhes que precisam de tempo, de lentidão para serem notados... 
          A velocidade dos treinos, a preocupação com o tempo, com o tiro bem dado, com a quilometragem cumprida, com  a pisada perfeita tornam-nos melhores corredores, e eu estou frequentemente conectada a estes detalhes. Sim, estou em busca de meu melhoramento como corredora. Entretanto, a mulher que precede a corredora também briga por espaço: ela gosta das belezas da vida, das amenidades de uma linda manhã de sol, da celebração de um aniversário, dos sorrisos pelo caminho.... É por isto que este longão será inesquecível, porque eu pude celebrar, por inéditos 27km, não só a superação física, mas, acima de tudo, o meu jeito de viver e de comemorar mais um ano de vida...


Nas Margens de Mim (O Teatro Mágico)

Eu me senti como um rei / Me larguei, dormi, nas margens de mim / Me perdi por querer, eu não fiz, não fui / Me desaprendi // Eu quis prestar atenção / Tudo o que é menor, mais lento e baldio / Deixo o rio passar tão voraz, veloz / Me deixo ficar // Quando o sol acena, parte em mim / Diz valer a pena ser assim / Que no fundo é simples ser feliz / Difícil é ser tão simples / Difícil é ser tão simples / Difícil mesmo é ser // Me recolhi, fiquei só / Até florescer / Desapego e raiz, improviso e razão / Canto pra colher, agora e aqui // De qualquer maneira parte em mim / Diz valer a pena ser assim / Que no fundo é simples ser feliz / Difícil é ser tão simples / Difícil é ser tão simples / Difícil mesmo é ser...


domingo, 1 de abril de 2012

E COMEÇA A CONTAGEM REGRESSIVA...

" Todos os dias quando acordo,
não tenho mais o tempo que passou,
mas tenho muito tempo..."

          
           Já faz algum tempo que tenho acompanhado aqui e ali uma contagem regressiva para a Maratona da Caixa do Rio de Janeiro. No Facebook, o perfil da Maratona tem trazido esta contagem, e tenho uma amiga, Kátia Cristina, que, frequentemente, adora me lembrar que tenho dias a menos para me preparar... Causa-me certa angústia este passar do tempo, uma vez que a Maratona ainda me parece apenas um sonho... Mas um sonho que, pretendo, seja realizado no dia 08 de julho.
         Pois eis que na última sexta-feira (30/03) esta contagem ficou mais séria: faltavam 100 dias para a "danada"... Não sei bem por que  o número 100 mexeu comigo a ponto de inspirar esta crônica, só sei que mexeu... Talvez porque agora sejam: 100 dias para treinar SEM se esgotar... 100 dias para preparar corpo e mente SEM deixar que um sobrecarregue  o outro... 100 dias para estar SEM medo - apesar de que acho que o medo vai estar presente até o momento da largada... 100 dias para experimentar, SEM dúvida nenhuma, a euforia de estar na largada de uma maratona... 100 dias para atravessar a linha de chegada e me sentir uma pessoa ainda mais realizada... 100 dias para a realização deste objetivo que me propus alcançar neste ano de 2012...
          Hoje, já são menos alguns dias, e os três dígitos viraram dois...  E o tempo não para... E reforça o poeta Cazuza: "Não para não, não para..." Mas o poeta corria em direção contrária, sem pódio de chegada, sem beijo de namorada... Eu corro na direção do sonho, em busca de pódios interiores, de vitórias subjetivas, sabedora dos beijos e abraços que receberei a cada linha de chegada atravessada... E a contagem continuará decrescendo, enquanto meus quilômetros treinados crescerão... Ela continuará diminuindo, enquanto minha vontade de vencer os 42 km aumentará... E os números dos dias continuarão correndo, enquanto meu trabalho psicológico caminhará a passos controlados... 
          Sei que esta contagem está sendo feita por alguns amigos corredores e por inúmeros outros que não conheço... Sei que aqueles que já experimentaram a emoção da maratona podem entender o sentimento que toma conta de mim desde que comecei a sonhar com ela... Existem algumas pessoas sonhando comigo, mesmo que de longe, e compartilhando o mesmo sonho... Outras estão quase respirando o mesmo ar eufórico que tenho respirado... Outras, mais de perto, achando-me louca... Sim, afinal, só mesmo esses loucos que correm...
         Bom, o número 100 me deu uma puxada para a realidade. Agora, sim, sinto-me treinando para a Maratona da Caixa do Rio de Janeiro. Que venham os quilômetros treinados! Que venham as emoções  em turbulência!! Que venham as corridas como preparo!!! Virão também, eu sei, as dores, o cansaço, os medos, os intermináveis longões, as batalhas internas... Pois que venha tudo o que tiver que vir... Tudo será experiência acumulada... Tudo será bagagem útil... Tudo será vida vivida com intensidade, suor transpirado com garra, emoção sentida pelo que há de mais verdadeiro em mim... Que venha, enfim, o tão esperado dia 08 de julho, pois a MINHA contagem regressiva acaba de começar!!!
"Todos os dias, antes de dormir,
lembro e esqueço como foi o dia.
Sempre em frente!
Não temos tempo a perder..."

segunda-feira, 26 de março de 2012

PARA-TY, PARA MIM, PARA TODOS NÓS...

"Os números não mentem. 
Não há  espaço para a desonestidade na corrida, 
de distâncias a tempos. O que você doa de si é o que vai receber..."


     Ah, esses loucos que correm!!! Só mesmo sendo um deles para entender minha "brincadeira" de fim de semana: passar 11 horas indo para Paraty, mais 11 horas voltando para casa, SÓ para correr 18km... Se é loucura ou não, depende do ponto de vista de cada um... Para mim não é SÓ a corrida, é meu lazer, meu prazer, uma imensa alegria. Tornar-me uma corredora é a opção que fiz para ser uma pessoa mais feliz e realizada. É meu estilo de vida. E o que é melhor, é o estilo de vida de muitas pessoas espalhadas pelo mundo afora. E aconhecer algumas dessas pessoas tem se tornado acontecimentos especiais. Em Paraty, foi a vez de conhecer pessoalmente mais dois amigos que eram até então apenas virtuais: Raquel Pinheiro e Roberto Brunner:


     Foi momento de enraizar ainda mais outras amizades, como a de Gedair Reis e de Jorge Cerqueira: 



E ainda fazer novas, que nem virtuais eram, como a da Aline Menezes: 


     E cada corrida uma história, um desafio, novas sensações.... A medalha deste fim de semana simboliza uma vitória a mais: a de correr em um calor escaldante, num trajeto com muitas subidas e descidas e conseguir cumprir a distância em tempo menor do que o esperado. Não se trata apenas de atravessar a chegada e exibir a medalha no peito ou na parede de casa. Trata-se de constatar que a dedicação dada aos treinos está dando resultado.... que cada gota de suor desprendida diariamente tem valido a pena... que cada minuto a menos na cama todos os dias de manhã, a fim de sair para treinar, é compensado pela satisfação de mais uma corrida bem realizada.... Trata-se de vencer o psicológico, que às vezes tenta nos derrubar, concentrando no esforço físico.... Trata-se de vencer o corpo que pede para parar, buscando amparo no psicológico.... Trata-se de conhecer lugares lindos como Paraty.... Indescritível a sensação, após uma das subidas do percurso, ao avistar a imensidão do mar, refletindo o azul límpido da manhã de domingo... Chegou a inundar-me os olhos a emoção que a paisagem despertou... 
     Não é à toa que meu blog se chama DE SUOR E POESIA.... Nunca, como nos últimos 30 dias, após uma mudança radical de vida (do interior de Minas para o litoral capixaba) transpirei tanto. Mas cada gota de suor que os treinos no litoral têm feito surgir tem sido compensada com a poesia da paisagem local. Correr tendo o mar como testemunha de meu esforço e dedicação diários é ter a poesia acontecendo diante de meus olhos diariamente.... E a emoção da corrida em Paraty, ao avistar o mar, quando a luta corpo X mente se travava em mim, foi poesia gritante, poesia flamejante,  poesia pulsante... Pulsando nos olhos, nas veias irrigadas por sangue em ebulição, no coração desta simples e sincera amante das corridas....
     Este ano ainda promete muito suor e poesia... Que venham as próximas corridas.... Que eu me mantenha motivada e firme em meus propósitos.... Que venham muitos outros amigos.... E que a poesia dessas experiências jorre pelas páginas deste blog, compartilhando com vocês, meus amigos leitores, todas as emoções e experiências que a corrida e a vida nos proporcionam. Beijos a todos!!! 'Bora correr, povo!!!!


domingo, 18 de março de 2012

UMA CRÔNICA DE RECOMEÇOS....



     Recomeçar... Nós vivemos recomeçando... Recomeçamos o trabalho na segunda... A semana no domingo... O ano em janeiro... Recomeçamos quando mudamos de emprego... Mudamos de cidade... Mudamos de relacionamento... Recomeçamos quando por algum motivo qualquer a vida nos obriga a fazer uma parada forçada ou nos alegra com algumas mudanças... Recomeçamos o tempo todo... Minha crônica de hoje é sobre recomeços...
     Depois de uma dessas paradas forçadas nos treinos (um tombo no fim do ano) e de outra reduzida indesejada (uma dor no pé entre janeiro e fevereiro), recomeço para valer e com empolgação. Fiquei fazendo quilometragem curta durante um tempo, para readaptar meu corpo, e hoje fiz um treino de 21km, depois de mais de dois meses sem correr esta distância. É uma satisfação sentir meu corpo inteiro novamente e poder continuar sonhando com meu projeto da Maratona 2012. Senti que poderia ter feito um pouco mais, ainda tinha energia no final, mas resolvi não forçar demais.... É preciso prudência!!! Tenho uma corrida de 18km no próximo fim de semana  - a Minimaratona de Paraty - e quero estar bem inteira para ela. 

      Estou muito feliz com o retorno ao pique de antes... Somei 63km de treino esta semana, acho que nunca tive este volume de quilometragem antes... Buscando o lado bom das situações, acredito que a parada e a reduzida foram boas para que meu corpo não se estressasse antes da hora. Se eu estivesse no pique do ano passado, desenfreada, como diz minha amiga Ayeska, talvez tivesse passado dos limites e a parada forçada iria acontecer mais cedo ou mais tarde... E ainda procuro conter minha vontade de desenfrear novamente, para evitar desgaste desnecessário. Faltam 3 meses completos, mais alguns dias para a tão esperada Maratona do Rio. Vou aumentar a distância e o volume aos poucos para chegar lá inteira e terminar a prova também inteira.
     Só sei que me sinto renovada, recomeçando e cheia de energia para o que der e vier. Vivo uma nova fase da minha vida e nada melhor do que recomeços para nos sentirmos bem. Estou repleta de recomeços... Que sejam muito bem-vindos!!!!
     E já que é uma crônicas sobre recomeços, aproveito a oportunidade para homenagear nosso amigo corredor Gedair Reis. Após uma cirurgia no joelho e mais de 3 meses sem correr, ele voltou a trotar esta semana! Que volte com muita saúde, determinação e prudência, meu amigo!!!!


RECOMEÇAR

"Não importa onde você parou… / em que momento da vida você cansou… / o que importa é que sempre é possível e necessário “Recomeçar”. // Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo… / é renovar as esperanças na vida e o mais importante… /acreditar em você de novo. // Sofreu muito nesse período? / foi aprendizado… / Chorou muito? / foi limpeza da alma… // Ficou com raiva das pessoas? / foi para perdoá-las um dia… // Sentiu-se só por diversas vezes? / é porque fechaste a porta até para os anjos… / Acreditou que tudo estava perdido? / era o início da tua melhora… (...) Recomeçar… hoje é um bom dia para começar novos desafios. // Onde você quer chegar? ir alto…sonhe alto… queira o melhor do melhor… / queira coisas boas para a vida… pensando assim / trazemos para nós aquilo que desejamos… se pensamos pequeno… / coisas pequenas teremos… / já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente / lutarmos pelo melhor… / o melhor vai se instalar na nossa vida. / Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.”


quarta-feira, 7 de março de 2012

UM CIRCUITO... UMA ESTAÇÃO... E MUITOS, MUITOS AMIGOS...



Estive ausente de meu blog por uns dias. A vida leva a gente a tomar rumos que às vezes nos obrigam a um afastamento... a um isolamento... a um reposicionamento... E a vida tem me presenteado com momentos que me têm feito crescer... têm me feito amadurecer... tornando-me  mais completa, mais intensa.... E é assim que retomo meu blog, minhas crônicas, meu encontro com vocês, meus amigos leitores e corredores...
Era uma manhã de domingo, em pleno verão carioca.... O dia estava muito nublado e corríamos a etapa de outono do Circuito das Estações Adidas 2012... O tempo cinzento, quase chuvoso, não tirou, entretanto, a beleza daquela manhã. Talvez seja difícil para algumas pessoas entenderem o motivo que me fez passar duas noites inteiras viajando para chegar e voltar do Rio de Janeiro a fim de participar de uma corrida de apenas 10km... Mais ainda: de uma corrida que virou moda e tem recebido inúmeras críticas. É verdade que é considerada uma corrida fácil, já que possui a alternativa dos 5km... É verdade que muitas pessoas passam a prova quase toda caminhando.... Que o número grande de caminhantes atrapalha o fluxo da corrida... Etc., etc., etc. Mas eu não fui simplesmente correr: fui fazer amigos... Fui passar um fim de semana diferente... Fui viver momentos de intensa alegria... Fui buscar instantes de completude... E os encontrei... Ah, sim, os encontrei... E não apenas ao realizar a prova num tempo abaixo do esperado e conquistar mais uma medalha...


Tenho dito, com certa frequência, sobre as amizades que fazemos entre corredores, e esta crônica de hoje é a crônica da amizade por excelência. De amizades que começaram virtualmente: tímidas, desconfiadas... De amizades que, mesmo virtuais, foram se mostrando sinceras, foram se fortalecendo, foram criando laços... Laços que aproximaram virtualmente sonhos, fotos, objetivos, quilômetros percorridos, medalhas conquistadas, lesões em recuperação... Laços que idealizaram os encontros... Laços que se concretizaram quando os beijos e abraços deixaram de ser enviados pela internet para serem sentidos na pele, nos olhos, na emoção...
Emoção que me toma o peito quando me lembro de uma Dona Moça, fotógrafa, corredora, indo ao meu encontro na rodoviária e me levando para dentro de sua casa, oferecendo-me hospedagem... Um primeiro encontro real, mas a mim parecia que éramos amigas de longa data...


Emoção que me abre um sorriso no rosto, quando vejo uma bolinha do Flamengo, em forma de chaveiro, balançando em minha mochila... Presente de alguém que tem seu time de coração no nome e que não imagina que o presente maior foi a presença dele naquela manhã ali, mesmo sem poder correr...


 Emoção que me faz ver e rever o vídeo e as fotos preparados por um ultracorredor que preencheu de significado cada quilômetro daqueles 10km do dia. Alguém que aceitou meu convite para me acompanhar na corrida, mesmo não sendo para ele uma prova significativa. Alguém que saiu de sua posição de elite e veio me fazer companhia no meio do povo...


Gleice Medeiros, Carlinhos Mengão Martins e Jorge Cerqueira, vocês fizeram meu fim de semana mais feliz!!!!
E a alegria não parou por aí: foram outros encontros e reencontros:  com a amiga Kátia Cristina e seu esposo Mauro, que já deixaram a posição de amigos virtuais e se tornaram reais há algum tempo. Mais uma vez atenciosos, mais uma vez receptivos, mais uma vez carinhosos. Das imagens mais bonitas que presenciei neste  fim de semana está a vista do mar no Forte de Copacabana. Obrigada, Kátia, por me levar a conhecer essas belezas...


 Também o grito pelo meu nome da Ayeska Lovisi, encontrando-me entre os 14mil corredores, quando eu estava próxima da chegada. Primeiro, minha instrutora de academia, depois, uma colega de corridas e uma companheira de confidências... O abraço de Cristiane Garbois, que me reconheceu após a corrida... O encontro com o professor Rogério: primeiro corredor a me mostrar que eu era  capaz de vencer os 10km... A apresentação a Luciano Souza, a Rodrigo Oliveira, a Juliana Lázaro e a Cristiane Braga... O encontro com Marcia Bianca Sales e Ana Vivas, que deixam de ser apenas amigas virtuais também...






Foi uma alegria imensa para mim conhecer e estar entre vocês. A corrida de outono valeu como uma corrida de primavera. Apesar de cinzento o dia, eu via florir ali laços de amizades que saem da internet para se tornarem concretos...  Mais que primavera, posso falar de uma corrida de verão (ainda é verão...): se não havia sol que clareasse o dia para deixá-lo ainda mais bonito, havia muito calor humano na expectativa dos encontros e reencontros explodindo nos abraços reais...



"VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ..."





domingo, 12 de fevereiro de 2012

UM TEXTO... UMA PONTE.... UMA CORRIDA...

"Ai palavras, ai, palavras, 
que estranha potência a vossa..."


          Começo o texto de hoje citando Cecília Meireles, porque reconheço o poder das palavras na vida da gente. Palavras podem construir ou destruir uma pessoa, podem confortar ou machucar, elevar ou derrubar, despertar sorrisos ou lágrimas, deixar-nos mais tranquilos ou mais apreensivos com alguma coisa... E foram palavras de um texto que me trouxeram até esta crônica. Lendo, esta semana, a revista Runner's deste mês, deparo-me com uma matéria sobre a Corrida da Ponte Rio-Niterói... Tenho minha inscrição feita para corrê-la e tenho a impressão de que seja uma corrida muito bonita... Entretanto, essa beleza começou  a se dissipar de minha imaginação, dando lugar à ideia de sofrimento... Alguns amigos já me alertaram para o calor do Rio de Janeiro, numa ponte de 13km sobre o mar, sem sombra nenhuma... Sim, isso me causa um certo receio, afinal, não estou acostumada com o calor carioca. Mas confesso que as palavras do texto da revista me deixaram ainda mais encucada... 
          Há pouco mais de um ano, quando um colega corredor me falou a respeito desta prova e que era preciso comprovar tempo para dela participar, eu estava sonhando em fazer minha primeira meia maratona. Lembro-me de ter ficado indignada, afinal, se fosse um sonho estrear nos 21km na Ponte, isso não seria possível. Questionei essa triagem, sem entender o porquê dela... Agora começo a entender, é para evitar que pessoas não preparadas se arrisquem numa prova considerada difícil tanto por causa das condições climáticas quanto das variações altimétricas. Bom, quanto a mim, se eu pretendo dar conta de uma maratona no Rio de Janeiro, preciso me sentir em condições de fazer uma meia maratona no local. Mas aí me apareceu este texto que, confesso, intrigou-me devido à algumas palavras, expressões ou frases que não apenas nos alertam para o nível de dificuldade da prova, mas chegam a fazer dela algo  amedrontador. 
          O texto já começa falando que não é uma prova para qualquer um. Ok, uma meia maratona realmente não é para qualquer um, principalmente no calor do Rio de Janeiro, e a necessidade de se comprovar tempo em outra meia maratona já demonstra esta questão. Logo em seguida, aparece um apelido "carinhoso" dado à corrida por um participante: "corrida da ponte do inferno". E este "inferno", provocado pelo calor, foi intensificado por algumas falhas na organização da prova, cujos erros prometem ser corrigidos este ano. Na verdade, alguns erros não podem acontecer por parte das organizações, principalmente em provas que exigem mais esforço do corredor. Falei sobre isso na crônica anterior. E volto a falar, pois se a organização da prova promete mais  postos de hidratação,  pontos de vaporização de água e mais postos de ajuda, é porque reconhecem a falta de uma infraestrutura melhor no ano passado. E sei que a coisa foi realmente feia: muito calor, muitas pessoas passando mal... Alguns amigos corredores comentaram sobre isso - e gostaria de pedir que relatos fossem feitos sobre a corrida do ano passado para que a gente possa estar cientes do que temos pela frente. 
          Depois, veio a parte da matéria que mais me chamou atenção, um quadro intitulado "Uma ponte no caminho". A professora de Literatura aqui achou linda a intertextualidade com a "pedra no caminho" do Carlos Drummond de Andrade. Mas isso não reduziu a preocupação da corredora, pois a "pedra" drummondiana, metaforicamente, pode representar um obstáculo, uma dificuldade, o que só foi reforçado nas descrições dadas sobre os trajetos da prova. Muito interessante a descrição feita por partes: sobre o "aclive longo e constante" nos 6,5km iniciais, o declive que vem em seguida, para nos preparamos para a "pior" parte da prova e uma simpática observação: "REZE PARA O TEMPO ESTAR NUBLADO"... Ao descrever o trajeto após o   km 20, o texto diz que você pode se sentir em casa, "SE AINDA ESTIVER INTEIRO"... 
          É, obrigada ao autor do texto, conseguiu me deixar muito mais do que ansiosa pela chegada da prova... Que eu vou procurar me preparar para a prova, com certeza que vou... Que as dificuldades e as falhas precisam ser anunciadas para ficarmos alertas, claro que precisam... Mas acho que já começo hoje mesmo a rezar para o tempo estar nublado, caso contrário, corro o risco de não chegar inteira, não é mesmo? Como adoro um desafio, lá vou eu correr a Ponte e na ponte.... Espero, no dia 20 de maio, após concluir a corrida, sentar e escrever para vocês um texto cujo teor já imagino:

"Sim, TINHA uma ponte no meio do caminho, mas, 
assim como a "pedra" do Drummond, 
ela foi deixada para trás, 
foi superada...
 Um grande abraço a todos!!! 
Bons treinos!!!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

CADA CORRIDA UM APRENDIZADO...

"Nem sempre as batalhas da vida vão para o mais rápido ou o mais forte. 
Há momentos em que o  vencedor é quem acredita que pode conseguir."
     


     É com o relato de um corredor, e com a devida autorização dele, que começo esta crônica de hoje:

20km da corrida do Batalha, como o próprio nome diz, uma BATALHA! Sabe aquele tipo de acontecimento que faz você repensar tudo? Bem, foi isso que me aconteceu ontem... Essa corrida me disse assim... “Cara, abaixa a sua bola, tu não corre porra nenhuma! Tem que treinar mais, se alimentar melhor, dormir mais e principalmente emagrecer. E muito!”. Pus em cheque até o meu sonho de disputar a maratona! Uma corrida quase desumana, pelo menos pra mim! Um calor infernal, uma largada completamente equivocada, às 10:15h!!! Mudança de percurso,  anteriormente 18km e agora 20km, numa estrada de terra, muito, mas muito quente,  apenas três postos de hidratação. No primeiro a água estava numa temperatura ótima! Ótima para se passar aquele cafezinho. No segundo a água havia acabado e fomos socorridos por populares! Eu já estava exausto  e me pus a dar água aos corredores! E o pior estava por vir, o retorno. No começo, em companhia do meu irmão e grande amigo Bruno, depois, de carona com o mestre Capitão. Durante esse retorno, em meio a divagações e delírios, fiz um pacto comigo: posso chegar me arrastando, mas vou terminar essa porra! Entre coxas estouradas e ânsias de vômito, no fim, tudo se salvou! Mas ficam algumas lições, correr não é pra qualquer um, pois uma deliciosa corrida pode se transformar em um martírio! E a principal delas é que, por pior que sejam as condições, sei que nunca irei desistir! (Vanderley Meurer Junior - Juiz de Fora)

     Eu não participei da prova, posso estar sendo leviana ao comentá-la, mas esse relato me faz pensar algumas coisas. Primeiro: o desrespeito com o corredor. Num domingo de verão, em Juiz de Fora, cidade quente, começar uma corrida de 20km às 10:15 deveria ser algo inimaginável. Aliás, mesmo em uma corrida de 6km, porque houve essa opção de distância também. Largada tardia, calor, trajeto pesado... Penso que mesmo o horário de 9h, que seria o previsto para a largada, é complicado para correr no verão. Para piorar, a falta de água. Se havia água suficiente para o número de corredores inscritos para a prova, é o mínimo que se espera, por que faltou água no segundo posto? Não seria porque o calor das 10h ou 11h obrigou os corredores a beber mais água do que o previsto? Água quente? Não me espanta se alguns corredores reclamaram de ânsia de vômito... E se não houvesse populares distribuindo água? O risco de um corredor passar mal, desidratado, foi grande... Já participei de provas em que o horário da largada não foi respeitado, em que faltou água, em que a água estava quente... Imprevistos acontecem? Claro!!!! Mas que não aconteçam com frequência... Organizar uma competição requer um mínimo de infraestrutura e respeito aos corredores... Podemos até pensar no bom-senso do corredor que, ao sentir que não vai aguentar completar a corrida ou manter o ritmo que previa, deve reduzir ou parar antes que passe mal. Tudo bem, se o corredor se esforçou além do previsto, ou se naquele dia da competição ele não estava bem... Pelo menos, não foi por problema de infraestrutura, e a responsabilidade é toda dele. Mas, além do desgaste que o corpo dos corredores sofre a cada corrida, que já não é pequeno, sofrer ainda mais por falta de organização é inaceitável....
     Segunda reflexão que o comentário acima me despertou: a necessidade de um bom preparo para as corridas. Tudo bem que é muito bom, depois, olhar para trás e ver que conseguimos vencer uma corrida difícil. Mas penso que, para nós, que não somos profissionais da corrida, ficar sofrendo para completar um percurso não é uma boa... Claro que vez ou outra isso é inevitável, ou que seja um pequeno sofrimento a cada prova... Mas que seja pequeno, porque eu, pelo menos, quero que a corrida me faça feliz. Se ela começar a se tornar um martírio para mim, vai perder a razão de ser... Adoro desafios, superação, sou movida a eles... Mas espero sofrer mais nos treinos,  aprender a superar meus limites neles, perceber a necessidade de aumentar ou diminui-los na medida certa.  Para isso eles existem... São nosso aprendizado... Sofri recentemente numa prova pequena, porque eu estava com o corpo cansado. Participei de  uma corrida sábado à tarde e outra no domingo pela manhã. Meu corpo não está acostumado com isso. Foi sofrido, doído, senti o que o corredor acima disse: "Pus em cheque até o meu sonho de disputar a maratona!". Eu também pensei isso quando sofria naquele trajeto, mas depois vi que foi sofrido porque não dei ao meu corpo o  descanso que ele precisava. Um amigo, corredor experiente, disse-me: vez ou outra é bom fazer essas loucuras, mas apenas vez ou outra... Fiquei a semana passada toda sem correr por dor no pé... Pagamos pelos excessos que cometemos... É preciso que a prudência fale mais alto que a nossa ânsia de superação... Que a razão consiga sobressair-se sobre a endorfina e que, sobretudo, saibamos respeitar os limites do nosso corpo... Ele pode muito mais do que imaginamos, é verdade, mas ele precisa de cuidados...
     Ah... o terceiro ponto: superação!!!!! Adoro essa palavra!!!  É... é preciso respeitar o corpo.... É preciso ter prudência... Mas é preciso não desistir dos sonhos... Mesmo dolorida, com bolha no calcanhar, corpo cansado, aquela corrida a que me referi foi concluída e ainda me deu meu primeiro troféu... Mesmo se sentindo martirizado, "entre coxas estouradas e ânsias de vômito", o corredor acima concluiu sua corrida... Doeu? Fez alguma coisa errada? Era um trajeto além do que aguentava? Não deram a infraestrutura que deveriam dar? Pois bem... agora é repensar as ações, os planejamentos, as preliminares das corridas... É se alimentar direito, descansar adequadamente... E escrevo isso porque eu estou tentando ME convencer da necessidade de tudo isso. A gente aprende com as experiências dos outros... Gostaria muito que esse blog servisse para essas trocas de relatos. Nós aprendemos muito ouvindo os companheiros. Tenho ouvido muito corredores mais experientes... Meu sonho da maratona é tão intenso, e eu sou tão intensa nas coisas de que gosto e desejo, que tenho medo de meter os pés pelas mãos, de cometer excessos, de me lesionar... E repito para MIM mesma: é preciso prudência, paciência, avanço gradual, descanso... Mas desistir do sonho? Jamais!!! No máximo, adiá-lo, quando e se houver necessidade...


"Tente! / E não diga / Que a vitória está perdida / 
Se é de batalhas / Que se vive a vida / 
Tente outra vez!"